Enquanto a Prefeitura de João Câmara anuncia uma programação junina grandiosa, com atrações de peso e investimentos elevados em festejos, os números oficiais da própria administração revelam uma realidade que chama atenção: a saúde pública recebeu menos recursos do que o mínimo exigido por lei.

Dados do Relatório Resumido de Execução Orçamentária (RREO) mostram que, no primeiro quadrimestre do ano, a gestão da prefeita Aize Bezerra aplicou apenas 13,08% da receita de impostos e transferências constitucionais em Ações e Serviços Públicos de Saúde (ASPS). O percentual está abaixo dos 15% previstos na Constituição Federal.

Pelas contas oficiais, o município deveria ter investido R$ 5.433.786,81 na área. No entanto, deixou de aplicar R$ 695.196,89 para alcançar o piso constitucional.

O contraste é inevitável. Enquanto a gestão promove um dos maiores eventos do calendário municipal, a principal área de atendimento à população ficou abaixo do investimento mínimo exigido pela legislação.

A crítica não é à realização de festas, que movimentam a economia e valorizam a cultura local. O questionamento é sobre as prioridades da administração. Em uma cidade onde moradores ainda enfrentam dificuldades para conseguir consultas, exames, medicamentos e atendimento especializado, a saúde deveria estar no centro das decisões orçamentárias.

Embora o índice definitivo seja apurado apenas ao final do exercício financeiro e o município ainda possa recompor os investimentos nos próximos meses, os dados atuais acendem um alerta sobre a condução dos recursos públicos e reforçam o debate sobre as prioridades da gestão municipal.

Créditos: Blog do Obelisco.

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