Após a veiculação de matéria no blog do jornalista Jadson Nascimento sobre a aprovação do orçamento municipal de João Câmara para o exercício financeiro de 2026, um ponto específico chamou a atenção e ganhou destaque nos comentários da publicação.

A procuradora de carreira do Município, Cynthia Veras, veio a público esclarecer e denunciar o que classificou como sucateamento da Procuradoria Geral do Município (PGM). Segundo ela, o orçamento destinado à PGM é de apenas R$ 755 mil, valor que, na prática, demonstra o abandono de um dos órgãos mais estratégicos da administração pública municipal.

A procuradora ainda corrigiu a informação inicialmente divulgada, esclarecendo que o montante superior a R$ 4,5 milhões refere-se, na verdade, ao Gabinete da Prefeita, e não à Procuradoria. A manifestação técnica e responsável de Cynthia Veras reforça a preocupação com a fragilização institucional do órgão responsável pela defesa jurídica do município, pela legalidade dos atos administrativos e pela proteção do erário.

O posicionamento da procuradora efetiva escancara uma contradição da atual gestão: enquanto a Procuradoria Geral do Município recebe um orçamento considerado irrisório, a administração segue priorizando contratos com escritórios de advocacia privados, transferindo recursos públicos para serviços externos ao invés de fortalecer um órgão composto por servidores concursados e com conhecimento aprofundado da realidade local.

A Procuradoria Geral do Município é peça-chave para garantir segurança jurídica, evitar prejuízos aos cofres públicos e orientar legalmente as decisões do Executivo. Enfraquecê-la é, na prática, expor o município a riscos jurídicos, financeiros e administrativos.

A atitude da procuradora Cynthia Veras merece reconhecimento não apenas pela correção técnica, mas pela coragem institucional de denunciar o cenário de sucateamento. Sua fala traz à tona um debate essencial: quais são, de fato, as prioridades da gestão municipal?

Com um orçamento superior a R$ 162 milhões, João Câmara possui recursos suficientes para fortalecer seus órgãos estratégicos. O abandono da Procuradoria Geral do Município, ao mesmo tempo em que se ampliam gastos com escritórios privados, levanta questionamentos legítimos sobre a condução administrativa e o compromisso com a eficiência e a legalidade.

A população, agora, espera respostas. O orçamento é da gestão. A responsabilidade também.

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